Meu propósito aqui é mostrar como esse argumento é inconsistente. A premissa é a seguinte: comprovado, em pesquisas, que o homossexualismo é existente e normal em várias outras espécies de animais, não deve ser considerado como anti-natural ou moralmente rejeitável por nenhuma sociedade humana. Ainda que pesquisa científica deliberadamente posta de lado mostre que a questão é controversa [e aí começam os percalços], para o efeito que busco aqui, vou admitir que o homossexualismo em animais é fato. Isso talvez alegre os gayzistas, mas não vai lá durar muito tempo…
Não vou relevar que, ainda que seja existente, trata-se de exceção à regra: a maioria dos animais e a maioria da humanidade é heterossexual. Isso é útil moralmente, mas não cientificamente – objetivamente, nada muda a assunção de que trata-se de uma naturalidade. Daqui para frente, partamos para a velha dialética para melhor mostrar o desenvolvimento lógico da coisa.
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Abro apenas com um disclaimer para ressaltar minha ignorância em relação a grande parte das idéias que envolvem o que está escrito. Peguei trechos soltos, que parecem ser entendimentos completos de algum conjunto maior de idéias, para trabalhar aqui. Não apenas para ser parcimonioso, mas também a idéia contínua que diz que que de nada sei é bastante útil na contínua busca pelo conhecimento.
Li alguns dias atrás a idéia que supostamente viria de Nietzsche e supostamente seria usada por Foucault de que a humanidade se prende à linguagem.
Diz o texto:

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Eis os reis! Cores
que não mais recordamos
Os vemos, podres…
e nos enganamos!

Azul que era
fez-se rubro num repente.
A força que degenera
reputa-o semente.

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O wordpress recentemente me amaldiçoou com sua versão portuguesa. E digo amaldiçoado não porque ache a língua portuguesa feia – longe disso, uma das mais belas – mas porque agora, toda vez que abro o site, tenho que me deparar com as belezuras da blogosfera lusófona.
À parte disso, me deparei uns dias atrás com este post e só agora criei saco para demolir esse monte de besteiras que algum cérebro infértil tratou de digitar e postar na internerd.
Acho que algum gayzista estava sentado [sentado?] em seu computador uma noite, entediadíssimo, e resolveu exercitar a ironia. Podem se perguntar por que eu me ocuparia com um post de propósito jocoso óbvio. Eu explico: entre as armas da guerra cultural, figura a comédia entre as principais em face de sua capacidade de atingir as massas – um dos artifícios da demagogia. Desse modo, embora seja uma coisita criada por um espírito mal formado para outros espíritos mal formados, acho que ela bem merece a minha atenção para que haja alguma alternativa aos que a buscam. E quem chorar isso, certamente vive em um ciberespaço em que a agenda gay jamais é promovida, neo-nazistas comandam a web e a militância homossexual está confinada a uns gatos pingados em obscuros porões – aquele tipo de gente que divulga zine eletrônico através de sites cuja entrada se dá por algum proxy oculto ou artifícios mais engenhosos. Colarei as 10 “premissas” uma a uma e mostrarei por que são todas incoerentes.

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Beleza ao acaso,
rei da desgraça,
do sentir baço…
da glória sem jaça!

Por hoje definamos
assim, amanhã
sabem os amos!
Q’hoje tornam a sã

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O livro resta interessante em sua totalidade pela construção e análise do personagem cuja profissão lhe dá nome.
Aqui, o essencial para mim foi a identidade, especialmente no tocante às relações amorosas do protagonista.
A impulsividade e, ao mesmo tempo, a negação em tomar determinadas decisões, as ilusões em que se embrenha, antecipando tragédias verossímeis tão só em face do pessimismo, o apego e o desejo de uma mulher considerada pura, um ideal, mesmo estando com outra – e aqui deve-se notar a torpeza de sentimentos do Doutor, que rechaça violentamente as pessoas que não correspondem às suas expectativas -, a frieza com que trata as pessoas e o certo desprezo pelos tratos sociais e, especialmente, a relação entre tais características da personalidade do protagonista e as situações em que o livro o põe rendem de fato uma leitura prazerosa, recomendada. Mais satisfeitos ainda ficarão os que se apegam à construção e ao escrutínio de personalidades – coisa que o autor faz com maestria.
Apenas achei um pouco curto e o fim se anuncia sem mais nem menos, eu fiquei surpreso. Também acho que o organizador podia dar mais espaço ao leitor para formar suas próprias conclusões, mas o material suplementar é muito bom para os curiosos.
Vou certamente procurar mais livros de Schnitzler para ler. Recomendadíssimo.

_____

Aos que querem saber como me relaciono com as mulheres por quem nutro sentimentos, basta ler este livro. Parece muito comigo.

NP: -

Devo dizer que vai ser precária, inclusive quanto à terminologia. No fim das contas, acho que vai ser apenas mais um exercício de ignorância, mas preciso pôr isso no papel. Há bem uma relevância aqui, e já vou explicar.

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A cabeça igualitária [idiota] das pessoas tem um jeito particular e interessante de encarar a morte.
Comparam a morte de uma pessoa relevante, que recebe atenção da sociedade e dos veículos de informação, com a de algum ser geralmente de “classe inferior”, que não tem sobre si holofote algum.
O artifício aqui usado é bem simples: o valor “igualdade” é utilizado para suprimir e eliminar qualquer distinção possível que possa haver entre as duas coisas; dessa forma, se são iguais, não há cabimento em cobrir um com louros e esquecer o outro.
É de uma imbecilidade sem igual.
A atenção e afeição dos homens é tida como um “indicador de positividade”, como se não existissem gêneros de homens que se afeiçoam ou buscam distar da atenção de seus pares.
É uma mentalidade tão limitada, tão indigente de conhecimento, tão enclausurada em seu pequeno dogma irredutível que é incapaz de compreender a morte de dois seres. E, sendo incapaz de compreender a morte – nesse caso, como a perspectiva é a morte – torna-se incapaz de compreender a própria vida das pessoas.
São incapazes de entender que as coisas se dão em contextos diferentes, que uma coisa é relativamente complexa e que outra é mais simples. Não conseguem distingüir, não conseguem entender traços básicos da natureza humana.
E nos apontam esses modos de pensar, esses claustros do intelecto e da compreensão como se progresso fossem. “Abre a cabeça”, nos dizem.
Fazem zombaria de si mesmos e mal sabem. Um dia, quiçá.

_____

NP: -

I

(…)

Não tão efêmero como virar a esquina – assim supunha-se erroneamente – mas, então, tive certeza de que precisaria de mais tempo para digerir aquilo, apesar da torpeza que eu a atribuía. Citaria José de Alencar e a acusaria de pequenezas. Não que estivesse lá errado, mas não poderia ter certeza. É bem capaz de ter sido isso mesmo, mas o que teria pensado ela? Que eu me havia apaixonado por outra? Pouco provável que isso lhe quebrasse o coração – ainda menos provável se seguirmos a lógica segundo a qual tudo isso não passou de uma troça gigante; e é aqui que tais pensamentos são motivos para nova troça.

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Ah, um grande basta
de ver-me em coisa
ou outra que desgasta
o que ao “ser” despoja…

Por que pondero?
Por dentro tudo retorço
sem fazer mero
esboço…

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