Não faço versos
esperando coisa outra
que não sejam os certos
olhares de emoção douta,

mas não busquei tua paixão
nas tímidas linhas
de picuinha
em que beirei o que é são.

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A vida é lenta
quando se é só;
a mente atenta
às horas do sol

e à simplicidade
campestre que rodeia
a modernidade
estando alheia.

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Só queria te confessar
que me concentrar em ciências -
até de mim mesmo -
é deveras árduo com este coro de
flores exóticas que cantam teu
incógnito*
nome na majestade de um aroma.

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Mote:

I’ll swallow up all of you [Eu engolirei tudo de ti]
Like a big bottle of big, big pills [Como uma grande garrafa de grandes, grandes pílulas]
You’re the one that I should never take [Tu és a única que eu nunca devo tomar]
But I can’t sleep until I devour you [Mas eu não posso dormir até te devorar]
I can’t sleep until I devour you [Eu não posso dormir até te devorar]

(…)

-Devour, Marilyn Manson

Destes que matam a dor
um é singular:
tanto tem meu amor
como majora o amar.

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Preciso parar de comer porcaria, pra valer.
Regular minha alimentação.
Ja.

NP: Camille Saint-Saëns – Piano Concerto No.4 In C Minor, Op.33: I. Allegro Moderato

Toda feita dos retalhos
de meus olhares;
é deveras modelo para entalho
na pedra dos grandes césares.

Ninguém te vislumbra como eu
e tua beleza, obra prima de Morfeu,
foi travestida,
das aves inimiga.

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Turbilhão de pretensões
vívidas, aspirantes a tudo
que é o nada; diapasões
que propalam um desejo mudo.

A busca é o risco,
dito seu, no altar
do que excelso é; um disco
incandescente acima do pensar.

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É curioso como, quando comecei a escrever um conto ontem, não segui a linearidade do meu método de escrita.
Explico: geralmente, quando escrevo um conto, [as poesias normalmente surgem de uma idéias curta que desenvolvo, ou de uma miríade delas que ajeito nas estrofes] o escrevo do início ao fim. E como sou dispersivo, muitas vezes perco algumas dessas idéias boas que são como um flash em minha cabeça. Não só a dispersão [provavelmente decorrente da minha ansiedade] mas também é salutar falar da estafa que me consome, seja a doa dia-a-dia, seja a existencial.

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Moça de curto cabelo
e feições delicadas
que passa, rápida, pelo
moço sem sentir-se notada.

E este que, por um momento,
desvelou o olhar
recolheu-o já; com o sentimento
para, sob estrelas, sonhar.

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A leitura é, então, interrompida pela falta de postura de quem entra no lugar ermo em que me encontrava e o torna estridente como suas gargalhadas forçadas.
Continuo, então, a grande custo, minha leitura. Sem sucesso, devo frisar.
Daí o corpo começa a reproduzir o infortúnio da mente, especialmente da audição. E é num gesto que se fixa toda a minha inquietação.

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