Adolf Hitler, em seu Mein Kampf, classifica as raças [povos] humanos em três tipos:
-Povos CRIADORES de cultura;
-Povos DEPOSITÁRIOS de cultura;
-Povos DESTRUIDORES de cultura;
A primeira classe de raças é o que os nazistas definiam como o ariano. Somente povos arianos eram criadores de cultura, ou seja, só esses povos interpretavam diretamente a esfera metafísica do ser [ou, neste caso específico, do NÃO-SER!] e fundavam o PRINCÍPIO DE IDENTIDADE que geraria o que se entende por tradição material: usos, costumes, tratos sociais, forma da religiosidade, psicologia do povo et cetera. Os nazistas não viam o ariano na figura do alemão, como é muito comum pensar. Os arianos são concebidos como, literalmente, povos super-humanos [eis o Übermensch] – deuses. A necessidade de pureza sangüínea se dá justamente pela crença de que a herança divina desses povos se transmite através do sangue. Tais super-povos precisam do auxílio da humanidade inferior para materializar seu intento [os conceitos de pasu, prisão espiritual e a lógica da salvação do espírito devem ser analisadas à parte, bem como a noção de pacto de sangue].
Por humanidade inferior definem-se os vários povos do mundo. As tribos arianas, após conquistar tais povos, fazem com eles o referido pacto e fica a par de tais povos conservar sua herança divina através da manutenção de uma aristocracia, de uma nobreza de sangue que guia o resto do povo e eleva-o à condição adequada para o indivíduo buscar a realização espiritual. Esses são os povos depositários de cultura. Eles RECEBEM uma “semente divina” dos deuses que devem cultivar concomitante ao desenvolvimento de sua existência de acordo com linhas bastante específicas [o que certamente não vai de encontro ao que se entende como "progresso" hoje em dia]. Esses povos REPETEM o que lhes foi ensinado pelos arianos adaptado à sua natureza particular. Carecem da natureza divina do ariano para CRIAR cultura devendo manter a pureza sangüínea que foi por aqueles outorgada. É o que Hitler diz:
“Tribos arianas – muitas vezes em número ridiculamente reduzido – subjugam povos estrangeiros, desenvolvendo, então, animadas por condições especiais da nova região (fertilidade, clima etc.), favorecidas pelo número avultado de auxiliares da raça inferior, suas latentes capacidades intelectuais e organizadoras. Elas criam, freqüentemente, em poucos milênios e até em períodos de séculos, civilizações, que, de começo, revelam integralmente os traços íntimos da sua individualidade adaptados às propriedades específicas do solo como dos homens por elas subjugados. Por fim acontece, porém, que os conquistadores pecam contra o princípio – observado no começo – da pureza conservadora do sangue,- dão para misturar-se com os habitantes subjugados, e põem termo com isso à sua própria existência.”
(…)
“Da mesma maneira que o verdadeiro conquistador espiritual se perdeu no sangue dos vencidos, perdeu-se também o combustível para a tocha do progresso da civilização humana! Tal qual a cor da pele, devido ao sangue do antigo senhor, ainda guardou como recordação um ligeiro brilho, a noite da vida espiritual igualmente se acha suavemente iluminada pelas criações dos primitivos mensageiros de luz. Através de toda a barbárie recomeçada, elas continuam a brilhar despertando demais no espectador distraído a suposição de ver o quadro de um povo atual, enquanto ele se mira apenas no espelho do passado.”
Por fim, fala-se de povos destruidores da cultura, o que os nazistas viam na figura do judeu que, como o eterno estrangeiro – como a figura da anti-raça – buscaria fragmentar o sistema criado pelos povos arianos, seja a partir da degradação do sangue, seja a partir da relativização e confusão de conceitos e costumes que possuem finalidades espirituais. A razão disso vai além de mero elencar puramente racial e tem razão de ser na concepção de “guerra dos deuses” abordada por conhecimentos que fundam a ideologia nazista. Aos interessados em melhor compreender por que os nazistas pensavam como pensavam, eu recomendo a leitura das obras de Nimrod de Rosário.
Não me interessa – seja por questão prática ou por carência de conhecimento – abordar isso aqui, desejando usar tal visão somente como ponte para fazer um paralelo com os tipos de pessoa. Como há tipos de povo, há tipos de pessoa: criadoras, depositárias e destruidoras. Como notificado acima, as classes correspondem-se a nível individual e desenvolvem os mesmos papéis: verdadeiros criadores das obras da humanidade, repetidores de tais raras epifanias e mesmo de premissas morais ou científicas e, finalmente, destruidores e relativizadores do que a humanidade cultivou.
Como se dá com o escalonamento racial, as pessoas criadoras da cultura humana – como os povos arianos – encontram-se em quantidade ínfima, sendo as duas classes inferiores mais numerosas.
Aceite o leitor ou não tal classificação, as suas conseqüências remontadas ao que diziam os nazistas, mostram-se INTEIRAMENTE REAIS. É apenas 1% da humanidade que move a história através da manipulação dos povos e massas [tipo depositário]. É apenas 1% da humanidade que compreende apropriadamente as grandes questões do gênero humano, que faz os maiores progressos científicos e técnicos, é apenas em 1% da humanidade que concentram-se os grandes gênios das artes, bem como é apenas 1% da humanidade que conserva as qualidades morais desejadas do gênero humano em aspecto ilibado.
E o que mais me consterna não é ver a falta de tipos criadores – arianos. Esses são raros por natureza. Não é todo dia que nasce um Mozart, um Schiller, um Pessoa, um Aristóteles. O que mais me consterna é ver que, cada vez mais, predomina o tipo destruidor sobre o depositário. Arre, estamos todos na lama e somos uns inferiores comparados aos deuses e aos grandes gênios da humanidade – mas que possamos seguir sua luz. Creio que esse era o intento dos nazistas.
Mas não. As pessoas tornam-se cada vez mais portadoras da mesquinhez. Enamoram-se cada vez mais de arte degenerada, relativizam, destroem e ridicularizam o que fez da arte o que é, bem como os grandes nomes do passado. As pessoas cada vez mais sentem ódio ao ver um de seus iguais falar um pouquinho mais que elas – seja por individualismo radical, seja por ódio ao conhecimento. A lama alheia não deve brilhar mais que a sua nem que seja um pouco.
Cada vez mais as pessoas se desprendem de qualquer sorte de espiritualidade para entregarem-se, quando não a um pseudo-racionalismo, à emotividade pura e simples. Ainda que mais individualistas em um sentido egoísta, cada vez mais o espírito gregário com propósito em si mesmo ou em torpezas e bugiarias compartilhadas é necessário. Os que enduram os desafios da vida com preferência pela solidão e afirmação de suas qualidades próprias sobre as calamidades da existência são cada vez mais objeto de escárnio.
A destruição das estruturas orgânicas que os fundadores de identidade nos relegaram conduz, cada vez mais, a um culto da autoridade em si mesma. O ser humano perdeu noção do que vem a ser muitas coisas. Outra vez, o relativismo.
Não me incomoda estar na lama. Na lama todos temos condições de ascender.
O que me incomoda é ser puxado para baixo. E é isso que acontece com a humanidade – mais que isso, é isso o que ela busca.
Foi Hitler ou Goebbels que disse a seguinte frase: “A mentira dita 100 vezes torna-se verdade.” E é assim que a humanidade prossegue: Acha que treva é luz, e a busca com prazer.
Post scriptum – analisei a coisa de maneira muito incipiente. Sei que poderia pensar acerca das causas da decadência humana de forma muito mais profunda, até para meus baixos padrões. Mas aqui meu desejo não é alongar-me, e sim oferecer uma lógica geral para compreender algumas coisas. Ame ou odeie os nazistas, atribua ou não a imagem dos povos e pessoas como são por eles definidas; o fato é que essa classificação e seus efeitos são uma realidade, para nossa desgraça.
NP: Agalloch – The Melancholy Spirit



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