Abro apenas com um disclaimer para ressaltar minha ignorância em relação a grande parte das idéias que envolvem o que está escrito. Peguei trechos soltos, que parecem ser entendimentos completos de algum conjunto maior de idéias, para trabalhar aqui. Não apenas para ser parcimonioso, mas também a idéia contínua que diz que que de nada sei é bastante útil na contínua busca pelo conhecimento.
Li alguns dias atrás a idéia que supostamente viria de Nietzsche e supostamente seria usada por Foucault de que a humanidade se prende à linguagem.
Diz o texto:


Foucault also insists that we have to abandon the common sense assumption that there is a real world outside ourselves and that we can have knowledge about it. This is another illusion of humanism, he claims. Our minds are confined to the realm of our language.

Que pode ser lido na íntegra aqui.

E li hoje o seguinte:

Words – any words – are no more than symbols. They describe something, but are not the thing they describe. The original words may be accurate, or as accurate as mere words can ever be, but they describe only that which the speaker – or writer – is describing.

Aqui.

Então temos aí duas proposições que falam que a linguagem é imperativa no raciocínio e nas relações humanas. A nossa mente, porque imersa no mundo da cultura, trabalharia com essas representações que constituem a linguagem e não com a realidade propriamente dita. Então a linguagem é a realidade para nós.
No que discordo. Na filosofia clássica já se diz o contrário. E se diz, por exemplo, do belo – para distingüi-lo da beleza – que tudo o que é belo possui uma fração da beleza e que, se analisarmos coisa a coisa que é bela, podemos chegar ao que é a beleza. Ou seja, trata-se uma investigação laboriosa para chegar ao conceito do que realmente é, do que é REAL, partindo de idéias vagas da ficção porque a ficção remete sempre à realidade.
Enquanto a linguagem, de fato, não passa de representação, não se pode negar que a representação está diretamente conectada ao que existe ou ao que supõe-se existente.
As palavras “stone”, “Stein”, “pedra”, “pietra”, enquanto circunscritas lingüisticamente em seu entendimento semântico aos lugares em que o inglês, o alemão, o português e o italiano, respectivamente, são línguas correntes, seu sentido real, em todas essas línguas, é mais ou menos o mesmo. Todas as pessoas que entenderem tais palavras semanticamente terão em suas mentes a figura de algum mineral. Meu ponto é que não se pode negar a base material das coisas.
É provável que essa lógica, que confunde realidade e representação, seja bem utilizada politicamente para colocar os anseios e necessidades do ser humano mediano como prerrogativas incontestes. Mas aí, pergunto eu, não se trataria de idéias auto-contraditórias, se buscam inaugurar novas moralidades? Se a velha moralidade é igual à nova no que toca a seu fundamento no não-real, que tipo de moralidade se torna possível? Não consigo ver outra coisa aí que não seja o caos, ainda que isso possa ser afastado por necessidade de alguma coerência na vida humana.
Enquanto algumas doutrinas gnósticas e religiosas trabalham com a idéia de não-existência e de existência como uma ilusão grosseira [e aqui a idéia de desapego em Nietzsche teria um viés interpretativo], tal não se passa com o pensamento materialista da modernidade – este precisa de uma base física para trabalhar, coisa que esse raciocínio nega.
Isso me faz questionar com que tipo de intelecto se deve trabalhar as doutrinas que trabalham com a idéia de não-existência e qual o propósito de doutrinas que cometem erros lógicos tão grosseiros. Me parece uma tirania anti-divina que nega a criação e que coloca o raciocínio humano na posição de deus. Enquanto isso é válido para os doutores do espírito, para materialistas me soa apenas como pretensão herética.

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